20 novembro 2008
16 junho 2008
Tudo outra vez
Pois é, 2008 chegou e demorou um pouco mas decidi.
NOVO BLOG
http://disparatada.wordpress.com
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28 dezembro 2007
2007 e o fim
um dos primeiros posts deste blog foi uma retrospectiva de 2006... 2007 era um ano que prometia depois de um 2006 tão cheio de novidades e felicidades. 2007 prometeu e cumpriu. Eita ano! De altos e baixos teve de tudo, e contrariando a teoria da relatividade que diz que quanto mais velho você fica mais rápido passam os anos, 2007 foi tão cheio que parece que não tem fim (de fato, não acabou ainda). O ano que se arrasta.
2007 foi o ano dos sonhos sonhados mas planos não cumpridos. O ano dos imprevistos, das surpresas, do inconveniente, do sacode, socorro! 2007 foi um ano tão feliz quanto infeliz. A definição da dualidade dos sentimentos. E é por aprender com este ano que eu resolvi não esperar 2008, realizá-lo, sonhá-lo, mas não planejá-lo, pensá-lo, nada. 2008 que seja.
Tavez o único pensamento de 2008 seja acabar com este espacinho do qual ninguém, provavelmente nem eu, vamos sentir falta. não por nada,mas fui revisar e o espaço é tão melancólico que me deu coisa. sei que o problema é de quem o escreve, mas dizem que o meio pode influenciar o ser, então quem sabe mudar ou simplesmente acabar com o meio. mas, pensando bem, deixa essa decisão pra 2008. se é que 2008 chega um dia!
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13 dezembro 2007
"Grande Amor" (e a vida que peço): Paula Morelenbaum e Ryuichi Sakamoto
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11 dezembro 2007
do fim do medo
eu sempre tive, ou pelo menos há seis anos tinha, um enorme medo. de fato, se alguém me perguntasse meu maior medo, eu responderia um: medo da morte do pai. e por fim, no último mês esse medo tão temível tomou data, forma, cor, tamanho, rosto, evento. o medo tão temível teve fim, porque virou verdade. ao contrario porém do que se possa pensar, o fim do medo não traz alívio. o que sobra no fim do medo? um vazio enorme que rapidamente o seu ser se ocupa em ocupar. ocupar com outro medo, que esse espaço estava destinado a isso mesmo e não se pode, na biologia concreta das células do ser, mudar o seu fim. um medo maior que resulta do crescimento de um medo já existente e eu acredito que seja comum a todo ser humano: o temível fracasso (o medo do fracasso, na minha opinião só acaba quando se morre, porque mesmo fracassados podemos fracassar mais). e o temível medo do fracasso cresce com a verdade do fim do outro medo. não há mais resgate, conselho, socorro, não há porto seguro, meu pai não pode ser meu salva vidas do lado da morte. a única esparança a agarrar-me é que sua vida, já vivida, seja capaz de salvar-me.
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13 novembro 2007
"Si no puedes tener la razón y la fuerza, escoge siempre la razón y deja que el enemigo tenga la fuerza. En muchos combates puede la fuerza obtener la victoria, pero en la lucha toda sólo la razón vence. El poderoso nunca podrá sacar razón de su fuerza, pero nosotros siempre podremos obtener fuerza de la razón."
Viejo Antonio a Subcomandante Marcos en las selvas del Suroeste Mexicano. EZLN.
En el capítulo "7 piezas del rompecabezas mundial" del libro Mundo global ¿Guerra Global?.
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Nenhum sistema é a prova de seres humanos
Quanto mais leio e re-leio sobre a glolbalização, o desenvolvimento, os novos (?) socialismos, a esquerda (?) do século 21, os movimentos sociais, o terceiro setor, as elites e as classes operárias, os movimentos étnicos, enfim, quanto mais leio, mais chego a conclusão de que nenhum sistema é a prova de seres humanos e que toda boa iniciativa será corrompida. Frente a isso penso que o problema do mundo é um problema simples de valores e que só será resolvido quando provemos que o ser humano é capaz de mudar. E essa é a parte difícil, por um motivo simples, não me lembro de época no mundo em que a ganancia e o ter poder (que já foi ter terra, ter meios de produção e agora é ter dinheiro aplicado em capital financeiro) não justificassem qualquer tipo de ação. Por certo a idéia de progresso linear acompanhado do passar do tempo veio abaixo, ou vai dizer que o ser humano evoluiu desde a idade média. Não estou falando de tecnologia ou ciência, estou falando do ser humano. Nunca houve tanta pobreza, tanta concentração de riqueza, tantos mortos de fome e tantas guerras (escondidas baixo nomes mais bonitos ou não). O subcomandante Marcos (por favor, Zapata vive) chama o neoliberalismo de IV Guerra Mundial (a Fria foi a terceira) e deve ter razão, porque a nova ordem mundial traz velhos resultados, resumidamente, mortos e semi mortos.
Frente a toda essa crise de crença na humanidade (digamos em um ambito macro) e uma crise existencial profunda (quem não a teria frente a quadro tão catastrófico) resolvi provar para mim mesma que SIM o ser humano pode mudar e que a consciencia não é a sua condenação à infelicidade se não que a maior arma para transformação (salve Paulo Freire). Por isso me propuz pequenos e simples atos de mudança (começados pelo grande ato de abandono de uma vida rs) e se consigo me manter firme neles acreditarei que o ser humano consciente pode mudar, por isso, deixo aqui uma lista importante:
1) Consciente da minha probabilidade genética à diabete e fazendo um grande esforço já que não exista nada no mundo como um chocolate, prometo a mim mesma comer doces apenas de fim de semana (era uma prática diária) e em quantidades aceitaveis (o que significa não comer toda a lata de leite condensado transformada em brigadeiro entre o sábado e o domingo).
2) Contra o capitalismo neoliberal transnacional, a celulite e a gordura localizada (e em épocas de globalização, porque não falar também da gordura globalizada) parei de tomar refrigerantes e especialmente COCA COLA. Também pararei de comer no Mc Donalds e
no Burger King (mas o hamburguer seguirá sendo parte da exceção da minha dieta).
3) Consciente de que a linguística também é forma de dominação e colonialização do pensamento utilizarei cada vez menos palavras em inglês no meu vocabulário. O primeiro passo, deixei de ser mercadóloga (já ía escrever marketeira).
4) Não pararei de roer unha! Se você não acha que isso é um ato de resistencia entenda que as unhas compridas são um símbolo da sexualidade feminina, ou seja, uma questão de genero e machismo, pelo qual eu resistirei, sem perder a minha identidade glocal, fragmentada e pós moderna.
5) Porque alguma resposta estará no sagrado, meditarei pelo menos 3 vezes por semana.
6) Aguardo sugestões ainda que não existam leitores (porque ter esperança também é resistir).
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07 novembro 2007
La soledad era esto
Devorei o livro ao lado. Talvez por algum efeito louco de identificação. Creio que tenho a mania de buscar me identificar com tudo o que vejo. Um ensimesmismo egoísta talvez, ou a busca de algum sentido.Creio que sou um pouco Elena Rincón, aos 44 anos olhando a sua realidade com olhos frios e abandonando-a em busca de algo que não sabe bem quem é. Vivo uma realidade estranha, que venho percebendo mais nestes últimos meses. Percebi que em anos de enclausuramento em volta de um mesmo tema, com tanto tempo dedicado fui desconhecendo-me. Fui despossuindo-me, despossuindo meu corpo, meus gestos, minhas palavras, meus gostos... Sei, por exemplo, que amo música, mas há anos não conhecia outra música que a que sempre escutei. Sei que gosto de gente, mas há anos vinha tendo alguma preguiça de essa categoria. Desaprendi o que fazer com o tempo e ainda hoje me sinto perdida ao deparar-me com uma tarde livre... Um afastamento estranho de uma realidade que deveria viver se produziu, creio que especialmente nos 5 ou 6 últimos anos. Não digo que não vivi esse tempo-espaço, só digo que isso me foi tirando-me de mim mesma, de minha vida, uma vida... uma vida que não tento recuperar agora, mas tento reduzir essa distancia com as coisas quentes do mundo. Tento possuir-me outra vez, a reversão de um processo de metamorfose kafkiano, como Elena Rincón.
La soledad era esto escrito por Juan José Millás, provavelmente não traduzido ao português.
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22 outubro 2007
Jorge Drexler - Todo se transforma
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Todo se transforma
O silêncio não é mais proposital, confesso. E dou como desculpa a correria falsa do dia a dia para a verdadeira falta de vontade de sentar pra escrever. Que não se tome por falta de assuntos ou sentimentos, que sentimentos tenho todos, vazando pelos poros... talvez seja algum tipo de cansaço mental estagnador por alguns segundos. Mas para não dizer que não falei de flores, deixo uma música que tem sido tema dos meus dias... Entre outros e principalmente por sua leveza.
Todo se transforma - Jorge Drexler
Tu beso se hizo calor,
luego el calor, movimiento,
luego gota de sudor
que se hizo vapor, luego viento
que en un rincón de La Rioja
movió el aspa de un molino
mientras se pisaba el vino
que bebió tu boca roja.
Tu boca roja en la mía,
la copa que gira en mi mano,
y mientras el vino caía
supe que de algún lejano
rincón de otra galaxia,
el amor que me darías,
transformado, volvería
un día a darte las gracias.
Cada uno da lo que recibe
y luego recibe lo que da,
nada es más simple,
no hay otra norma:
nada se pierde,
todo se transforma.
El vino que pagué yo,
con aquel euro italiano
que había estado en un vagón
antes de estar en mi mano,
y antes de eso en Torino,
y antes de Torino, en Prato,
donde hicieron mi zapato
sobre el que caería el vino.
Zapato que en unas horas
buscaré bajo tu cama
con las luces de la aurora,
junto a tus sandalias planas
que compraste aquella vez
en Salvador de Bahía,
donde a otro diste el amor
que hoy yo te devolvería......
Cada uno da lo que recibe
y luego recibe lo que da,
nada es más simple,
no hay otra norma:
nada se pierde,
todo se transforma.
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24 setembro 2007
Pela volta
ao blog, à Madrid, ao extrañamiento...
de las luces que a lo lejos van
marcando mi retorno
son las mismas que alumbraron
con sus pálidos reflejos
hondas horas de dolor
y aunque no quise el regreso
siempre se vuelve al primer amor
la quieta calle, que en el eco dijo
tuya es mi vida, tuyo es mi querer
bajo el burlón mirar de las estrellas
que con indiferencia hoy me ven volver
Volver con la frente marchita
las nieves del tiempo, platearon mi sien
sentir que es un soplo la vida,
que 20 años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombra te busca y te nombra
Vivir,con el alma aferrada a un dulce recuerdo que lloro otra vez.
Tengo miedo el encuentro con el pasado
que vuelve a enfrentarse con mi vida
tengo miedo de las noches que pobladas
de recuerdos encadenan mi llorar,
pero el viajero que huye,
tarde o temprano detiene su andar
y aunque el olvido que todo destruye
haya matado mi vieja ilusión
Queda escondida una esperanza humilde
que es toda la fortuna de mi corazón.
Volver con la frente marchita
las nieves del tiempo, platearon mi sien
sentir que es un soplo la vida,
que 20 años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombra te busca y te nombra
Vivir,con el alma aferrada a un dulce recuerdo que lloro otra vez.
Vivir,con el alma aferrada a un dulce recuerdo que lloro otra vez.
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14 agosto 2007
Silêncio
Sigo em silêncio e as postagens são cada vez mais esparsas. Culpa do homem ou de Deus, não faz a menor diferença. A sensação de voltar é tão atordoadora que me causa uma única reação. O silêncio. Os milhares de perguntas, comentários, dúvidas, me causam a mesma reação, o silêncio.
Não creiam que é desamor ou desavença. Estou feliz de fato no meio de tanto barulho. O amor pode ser assim, ruidoso. O amor de uma família metade italiana, metade portuguesa e com tudo de brasileiro que se podia ter é definitivamente assim, ruidoso.
Talvez seja porque adquiriu caráter proibitivo. Tudo posso aqui, pela volta, menos manter o silêncio. O ruído de alegrias e as curiosidades me impedem. E por isso, em ato de rebeldia, o farei no único lugar que posso: aqui. Até mudança de fase, sigo assim, em silêncio.
ps:silêncio inspirado pelo silêncio de outra pessoa o da minha irmã.
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25 julho 2007
Vazia de paz
queria descrever a felicidade como parece que sei descrever a tristeza. mas a felicidade não me parece poetica, ou seria incompetencia de quem escreve? ainda assim ficam as intenções
Estou em paz. e a paz é vazia.
Não vazia dos enormes buracos negros
que nos tomam em tormentas,
cheios de medos, de aflições,
de desesperos.
Esse buraco de conturbações que nos consome diariamente...
A paz é um completo vazio das angústias,
a inundação do nada.
Quando as preocupações são prazerosas,
as revoltas sadias
e os motivos satisfatórios.
Paz é a não excitação demasiada,
a não euforia.
Paz é a sensação de estar no lugar certo,
na hora correta,
fazendo da sua vida aquilo que você pode escolher.
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21 julho 2007
É a setorização do inferno
E não é que o homi desceu mesmo? Desceu não subiu, de cargo, foi promovido a braço direito do Tinhoso, parece que o último que baixou já não tava dando conta do mundo todo. Andam dizendo por aí que o Coisa Ruim resolveu setorizar o inferno. E faltava gente pra divisão de assuntos Terceiro Mundistas. Dizem, só dizem, que a setorização do inferno já tem organograma definido.... e que a coisa fica mais ou menos assim:
(PARA MELHOR VISUALIZAÇÃO CLIQUE SOBRE A IMAGEM)
De qualquer maneira, Antônio Carlos Magalhães (vulgo ACM, Toninho Malvadeza ou só u hómi memo) que um dia cuidou só da Bahia, conseguiu cuidar do Brasil e agora está encarregado de TODO o terceiro mundo (que Deus ajude os Asiáticos e os Africanos, os Brasileiros tiveram sua chance) e deixou por aqui o filho (ACM Junior) pra cuidar do senado, além de toda uma escola de Malvadeza.
Pior é que em tempos de crise aéra e acidente da TAM não dá nem pra usar a piada pronta, "o último que sair que apague a luz do aeroporto".
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15 julho 2007
Como Caetanear o que há de bom
Acordo, já não era um dia qualquer, um sábado, de verão de julho de férias em Madrid. No dia anterior visitamos amigos e vimos a estréia de Harry Potter, que por incrível que pareça é mesmo incrível. Mas nada disso importava.
Era o sábado. 14 de julho. Verão em Madrid.
Comemos comida equatoriana durante o dia, bananas verdes fritas com cream cheese (patacones) caldo de peixe, camarões, mandioca, cebola, pimentões e molho (não consigo lembrar o nome agora).
Saímos cedo, pegamos o trem e chegamos no polideportivo de Villalba antes das 8 da noite. Alguma fila na porta do estádio e nossa preocupação era conseguir pegar os ingressos comprados na internet, primeiro mundo espanhol, essas coisas não funcionam tão bem. Tanto que quando conseguimos pegar os ingressos os portões já estavam abrindo e eram 9:10.
Sentamos na terceira fila, ao lado de um conhecido na fila de espera, um brasileiro de vida na inglaterra que estava ali para conhecer mais da "sua cultura" e nunca tinha ouvido falar no dito cujo.
Estávamos atrás da fileira de artistas do lado esquerdo. E não podia ser, na fila dos artistas do lado direito chega ninguém mais ninguém menos que Pedro Almodóvar. Assim em carne osso pele e cabelos (organizadamente bagunçados) e a poucos metros de mim.
Isso ainda eram 9:45 e o melhor não tinha começado.
Deveriam ser 10:20 quando sobe no palco Caetano, com seu violão um banquinho e um microfone. Mas é só isso mesmo? Sem banda? sim. Caetano, sentando em um banquinho, com o violão e quase sem programação de show.
Depois de ser alguns minutos ovacionado pelo público espanhol (que definitivamente lhe guarda muito carinho) começa com "Desde que o samba é samba", suave, calmo e tranquilo. Logo depois canta "Volver" e termina com, "é claro, dedicada a Pedro" (Amodóvar, aquele que estava a poucos metros). Continua com clássicos e músicas do Fina Estampa, em resposta ao público espanhol que aplaudia alucinado a cada fim de canção. Não era pra menos, ao vivo Caetano é ainda melhor. Ao vivo, só com o violão e cantando o que ele queria (literalmente dizia que não estava pensando em cantar alguma canção, mas deu vontade), ainda melhor. Caetano é lindo até nos erros. E errou ao cantar O Estrangeiro, Não Enche e até no bis, em Sozinho errou uns acordes. E foi lindo.
E tocou Você é Linda, Qualquer Coisa, Menino do Rio, Leãozinho, Cucurrucucu Paloma, Coração Vagabundo (pra mim momento de total êxtasi), Sampa, uma de Ari sobre a Bahia,Terra,Odeio e Não Me Arrependo, do último CD, Cajuína,Lua de São Jorge,Tonada de la Luna Llena,Luz do Sol ... e muito, uma hora e quarenta, quase duas... e foi lindo.
O que esse homem pode fazer com a voz com o violão e com o público... Ele fez um estádio de futebol virar uma coisa íntima. Me fez chorar.
Enfim, divino. Caetano acaba de subir ao lado de Chico na minha qualificação de divino.
Amém.
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10 julho 2007
No te olvides
No te olvides
de esa pereza blanca
de los nombres completos
de la voz grabada en una solo charla
no te olvides los colores, los verdes o azules,
no te olvides el negro y blanco hecho de piel
de los momentos ausentes
de las solitudes acompañadas de García Marques
no te olvides dos días iguales pero distintos, vividos del antes y del después
no te olvides de los tantos días
de las noches de frases en las paredes,
cada palabra pegada y dibujada gritadas y susurradas, escondidas
no te olvides del mundo
del mundo que construimos
no te olvides de ese mundo
no lo borres de ti
"¡Cuán feliz es el destino de las inocentes vestales!
Olvidan el mundo, y son por el mundo olvidadas.
¡Eterno fulgor de la mente inmaculada!
Aceptan cada rezo, y rechazan cada deseo;
practican la meditación y el descanso a tiempos iguales
dóciles durmientes capaces de despertarse y llorar."
La última parte y versos buenos o increibles de hecho creditados a Alexander Pope, De Eloisa a Abelardo
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09 julho 2007
Porque saudades também tem limites
Por essas e outras um dia acordou de repente e percebeu o simples, claro, talvez até óbvio. Não tinha acontecido nada de tão especial, os planos íam bem salvo algumas exceções que não a impediam de seguir com a vida cotidiana sem extravagancias que levava. Tampouco fugia, tinha dores de amor, corria de qualquer situação que pudesse ser pouco suportável.
De fato não havia nada, nada. nada.
Só descobriu em um momento que saudades tem limite. E o limite da saudades é aquele em que um dia se desperta e diz, preciso voltar, nem que por um segundo, para poder seguir. Preciso dessa dúzia de olhos olhando pro mesmo lado pra continuar indo por aí. Nesse dia ela levanta e percebe que os motivos pelos quais ela veio definitivamente não são os mesmos que a faz ir e não são os mesmos que a faz vir de novo. Nesse dia percebe que os lugares são pessoas que não se deixam e percebe que agora já tem muitos lugares. Simplesmente percebe que é feliz, muito feliz, mas que saudades, definitivamente, tem limites.
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Neoliberalismo, África e Gana. - Le Monde Diplomatique
Fazendo bem os créditos, o Le Monde Diplomatique Brasil publicou em junho uma breve reportagem sobre Gana que me fez mais uma vez acreditar que a África só está mesmo do outro lado do mar. Deio aqui a reportagem pros que queiram....
Gana, retrato da África recolonizada
"Estar à altura da excelência africana". Destinado a criar um consenso, o slogan foi escolhido para acompanhar as comemorações oficiais do 50º aniversário da independência de Gana, no dia 6 de março. Provocou uma controvérsia: quem e o que, na história do país, pode simbolizar a excelência africana? Desde então, um grande debate sacode a imprensa. Discussão fomentada desde a herança de Kwame Nkrumah, primeiro presidente desse pequeno Estado da África Ocidental e personagem do panafricanismo, até a política do atual presidente John Kufuor.
Cinqüenta anos após libertar-se da dominação colonial, o país continua diante dos mesmos problemas de 1957. Em suma, os de toda a África pós-colonial: como reestruturar uma economia subdesenvolvida, dependente de algumas matérias-primas (minerais e agrícolas) cujos preços são instáveis? Como transformar e aumentar os rendimentos de uma agricultura de produtividade baixa, baseada na pequena produção? Como industrializar um país com um mercado local atrofiado, no qual as relações com o mercado mundial foram estruturadas pelas economias ocidentais? Como gerar recursos para melhorar, de maneira duradoura, a situação das populações cujas esperanças cresceram no momento da independência? [1]
Do anti-imperialismo ao neo-liberalismo, em três mandatos
Na economia e na política, Gana viveu, desde a década de 1960, todas as experiências africanas. Sob a presidência de Kwame Nkrumah, a economia foi administrada com investimentos na infra-estrutura e no setor social. O governo conduziu uma política de industrialização destinada a reduzir as importações. Nkrumah tornou-se portador da mensagem antiimperialismo, o que incomodou os países ocidentais. Após sua derrubada, em 1966, por um golpe de Estado apoiado pela CIA, o país entrou em um período de instabilidade política, no qual permaneceu até 1982. Em seguida, viveu a imprevisibilidade dos preços das matérias-primas. Como o resto do continente, teve de enfrentar corrupção e má gestão. Sob a presidência de Jerry Rawlings, converteu-se à economia de mercado, com o apoio de instituições financeiras internacionais e dos países do Norte. Modelo de experiências pós-coloniais até os anos 1960, Gana tornou-se paradigma das políticas neoliberais.
Kufuor, sucessor de Rawlings, em 2000, completará seu próprio mandato em 2008. Dos oito presidentes ganenses, somente dois ficaram mais tempo que ele no poder: Rawlings (18 anos) e Nkrumah (nove anos). Nkrumah foi, segundo Amilcar Cabral [ 2], "um estrategista talentoso na luta contra o colonialismo clássico". Rawlings é o arquiteto da Gana atual. Depois de tomar o poder por meio de um golpe de Estado em 1981, foi reeleito duas vezes chefe do Estado. Aparece como o Janus da vida política local, a ponte entre Nkrumah e Kufuor. Durante os primeiros anos de sua presidência, ressaltou a necessidade de reformas econômicas estruturais, de justiça social e, em matéria de política externa, do antiimperialismo. Atacou vigorosamente a corrupção e dirigiu o país de maneira autoritária.
Inicialmente, esse posicionamento geral incitou a desconfiança de Washington. Autocrata e demagogo, Rawlings soube canalizar as esperanças da população e obter sua confiança propondo o objetivo de promover socialmente de uma elite. Mas, embora lembrasse Nkrumah na aparência, quando deixou o poder, em 2000, havia transformado seu país em modelo do liberalismo econômico que conhecemos hoje. Sua política de abertura para os mercados externos era fundamentalmente baseada na busca de investimentos estrangeiros. Reativou o crescimento econômico e restabeleceu a estabilidade política. Porém, abandonou o objetivo de transformar as estruturas da economia de Gana (historicamente dependentes do exterior).
No fim do século, queda das matérias-primas desfaz as ilusões
As duas vitórias eleitorais de Rawlings, em 1992 e 1996 — na última, vencendo o futuro presidente Kufuor —, fizeram-no pensar que estava em harmonia com o país. Entretanto, setores do Congresso Democrático Nacional (NDC), o partido no poder, e uma parte significativa da população continuaram reticentes à economia de mercado. Além disso, importantes frações das elites de Gana recusaram-se a reconhecer o que deviam a Rawlings, principalmente reformas econômicas draconianas e a restauração da autoridade do Estado, condições necessárias à sua prosperidade.
Os que haviam financiado a restauração econômica adotaram uma atitude mais pragmática: o presidente norte-americano William Clinton e a rainha Elizabeth II foram a Acra exprimir sua gratidão a Rawlings por ter reconduzido Gana à órbita ocidental. O antiimperialismo herdado de Nkrumah havia dado lugar ao ambiente da Commonwealth. No entanto, as grandes potências continuavam a desconfiar de um homem de caráter imprevisível, cuja base social parecia frágil.
Produto de vários fatores, a vitória de John Kufuor, em 2000, resolveu essas contradições. Na época, o NDC estava atormentado por tensões internas suscitadas pela sucessão de Rawlings. Esse havia se fragilizado devido ao aumento da corrupção e aos reflexos autoritários que o distanciaram da população. Entretanto, foi a crise econômica de 1999, provocada pela queda dos preços das matérias-primas, que acabou com o governo. As cotações do ouro, do cacau e da madeira — principais recursos do país — caíram, entre 1998 e 2000 (a do cacau caiu 1/3). Na mesma época, o custo das importações de petróleo duplicou, em virtude da alta do barril nos mercados mundiais.
A crise, produzida após anos de frustrações sociais relacionadas ao crescimento das desigualdades, revelou as fragilidades estruturais da economia de Gana: dependência da ajuda externa e peso da dívida, que passou de um bilhão de dólares, em 1983, para seis bilhões, em 2000. Duas décadas de liberalismo econômico e de "livre" comércio fragilizaram a produção local (agricultura, manufatura) e agravaram a dependência externa do país, problema com o qual Gana continua se confrontando. O golpe de misericórdia no governo Rawlings foi dado quando um conflito com os doadores atrasou a chegada da ajuda, no final dos anos 1990. Alguns membros do NDC avaliam que as instituições internacionais procuraram favorecer a vitória de Kufuor, personagem muito mais controlável (Sob a tutela da Casa Branca).
Instabilidade social. Enfraquecimento da nação. Dependência
Em 2001, o novo presidente aceitou a iniciativa países pobres muito endividados (HIPC, na sigla inglesa). Essa decisão voltou a reconhecer que as reformas liberais, tão vangloriadas, haviam, na realidade, levado o país à falência e o tinham tornado mais vulnerável às condicionalidades das instituições doadoras. Ainda assim, Kufuor mostrou-se disposto a estender e aprofundar as políticas em questão. Em troca, as instituições financeiras aceitaram liberar o país de uma parte de sua dívida. A ajuda voltou e o governo pôde estimular a educação primária e a infra-estrutura. Entre 2001 e 2006, o crescimento passou de 3% para 6%. No entanto, o aumento das desigualdades e as fragilidades estruturais da economia constituem uma bomba de efeito retardado para um regime aparentemente estável.
Os 20% mais pobres recebem, hoje, 8,4% da renda nacional, enquanto os 20% mais ricos abocanham 41,7%. Em 2002, um estudo do Centro para o Desenvolvimento Democrático – um think tank ganense – revelou a dimensão do desemprego e do subemprego, além de denunciar o "abismo crescente entre os ricos e os pobres [3]." Dois terços das pessoas entrevistadas qualificam sua situação econômica como ruim. A maioria dos participantes aponta, entre as prioridades, a criação de empregos, a redução da pobreza e da exclusão.
Nos últimos anos, multiplicaram-se as greves relacionadas aos salários e às condições de vida. Mas elas terminaram sem que os trabalhadores tivessem êxito. As medidas pontuais adotadas para lutar contra o êxodo de intelectuais e pesquisadores (prêmios de repatriamento, campanhas de recrutamento dos residentes no exterior etc.), produziram incoerências e desigualdades extremas na grade dos salários do setor público.
Foi prometendo "a idade do ouro dos negócios" que o presidente Kufuor elegeu-se em 2000. Sete anos depois, os empresários locais, principalmente os da pequena manufatura, reclamam que o governo só pensa em satisfazer o capital estrangeiro. A prioridade dada ao "livre" comércio traria um prejuízo ao desenvolvimento da capacidade produtiva da antiga Costa do Ouro. Na capital, Acra, as fábricas abandonadas foram convertidas em entrepostos para as importações ou em igrejas para acolher o número crescente de fiéis dos movimentos evangélicos.
Êxodo rural e desemprego tornam cidades inchadas e violentas
Baseada no estímulo às exportações de cacau, gás, petróleo e, também, de minerais (ora prata, ora manganês), a economia não criou um número de empregos suficiente. Os poucos que há são mal-pagos. Isso provocou migrações internas e externas, das quais a mais conhecida é a de profissionais do setor de saúde [ 4]. O êxodo mais importante diz respeito a milhares de jovens, pouco formados mas instruídos, cujas rendas permitem – quando bem-sucedidos no exterior – que um grande número de famílias se mantenha acima do limiar de pobreza.
Entre os muitos funcionários demitidos na época das reformas liberais adotadas nos anos 1980-1990, poucos encontraram trabalho. As fileiras desses desempregados durante muito tempo foram ampliadas pelo êxodo rural provocado pela pauperização dos campos. Na verdade, a agricultura local, de produtos alimentícios principalmente, foi arruinada pela política de abertura aos mercados mundiais, pela falta de terras disponíveis e de perspectivas econômicas. Nesse mundo rural, onde vive a maioria dos ganenses, a insegurança econômica tem um aspecto particular, o dos sem-terra. A maioria das pessoas não é proprietária e depende de um terceiro: assalariados agrícolas, meeiros, jovens, mulheres perdem facilmente seus direitos. Como o governo não soube responder a essa insegurança jurídica, a instabilidade fundiária desestabiliza o país. É o mesmo que ocorre em outras regiões da África Ocidental, onde as terras estão na origem das explosões de violência [5].
Em 2000, 80% da população ativa exerce alguma atividade no setor informal: por exemplo, camelôs não regulares. Na maior parte das grandes cidades, esse fenômeno derrota as autoridades, que respondem com medidas de segurança. Na verdade, as dificuldades da vida cotidiana e a corrupção cada vez maior corroeram a confiança que a população tinha no partido do poder — o Novo Partido Patriótico (NPP). País-símbolo, Gana não conseguiu traçar a via de um desenvolvimento autônomo, nem colocar em ação as transformações socioeconômicas necessárias.
Tradução: Wanda Caldeira Brant
wbrant@globo.com
[1] Ler, de Gareth MacFeely, Le Ghana entre rêves et maux d'antan, Le Monde diplomatique, edição francesa, outubro de 2001.
[2] Amilcar Cabral (1924-1973) foi um líder da luta contra a colonização portuguesa à frente do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e do Cabo Verde (PAIGC).
[3] http://www.cddghana.org
[4] Ler, de Karl Blanchet e Regina Kieth, "A África enfrenta o êxodo de médicos", Le Monde Diplomatique-Brasil, dezembro de 2006.
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Tati Bertolucci
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Um mês sem postar
E assim foi um mês sem postar, sem falar com ninguém e sem mais um monte de coisas.... Um mês de entregar 10 trabalhos pro mestrado (entreguei o último depois de uma noite virada na semana passada), um mês de mudar de casa e antes disso encontrar casa pra morar, um mês de procurar muitos empregos, ir à muitas entrevistas e não conseguir nenhum, um mês de bons amigos chegando e indo, um mês de trabalhar mais e ganhar um pouquinho a mais e uma semana de julho pra terminar esse mês de junho que foi longo demais.
No fim, tudo certo e lindo, notas entre puros 8s 9s e 10s (jesuis, não é que a menina continua CDF?), casa nova barata, um pouco longe, mas ainda assim valendo a pena, bom empregos.... mmmmmm.... acho que eu vou pro Brasil em agosto (rs).
no fim esse post é quase um relatório de atividades e um pedido grande de desculpa praqueles que eu sumi (ou seja, todos).
Beijocas
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Tati Bertolucci
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06 junho 2007
Bush a favor da democracia e dos direitos humanos. Não, não é piada.
Hoje li no ABC (jornal de direita espanhol que eu estou essa semana distribuindo, em mais um dos meus fantásticos mini-empregos) a seguinte notícia: "Bush replica a Putin con duras críticas por hacer descarrillar las reformas en Rusia". Bush participou de um encontro promovido por Aznar (pra quem não conhece o homem, é ex-presidente da Espanha do Partido Popular - partido de direita - que entre outros contos de fadas, levou soldados pro Iraque atrás das tais armas... bom essa parte o Bush o Blair já tentaram explicar) para falar de democracia e segurança, um encontro que pretende homenagear os comprometidos com o reclamo da democracia frente aos governos que a negam.
Parece que o discurso de Bush foi desses históricos e segundo o jornal "hizo una encendida defensa del derecho a la libertad y la democracia para todos los seres humanos".
Segundo o tal presidente (alguém se lembra das controvérsias sobre os resultados de sua eleição?) o principal legado de seu segundo mandato será a promoção da democracia no mundo. Sinceramente, começo a acreditar que esse homem é criativo. Primeiro pela fantástica mudança de discurso. A guerra no Iraque não é mais uma guerra promovida pela presença armas de destruição em massa, químicas ou as enormes variações que houveram no motivo da mesma, nem seu governo quer ser o grande símbolo da luta contra o terrorismo. Agora o lobo mau quer virar a chapeuzinho e dizer que a intenção estadounidense é defender e promover a democracia no mundo. Eu quase me emociono. E me pergunto se com o número de baixas no Iraque vão sobrar cidadãos pra construir essa tal de democracia.
O tal presidente, aparentemente eleito, fez duras críticas às reformas de Putin (que esses dias andou ameaçando a Europa com apontar seus mísseis e por aqui já se fala da possibilidade de uma nova Guerra Fria) e ao governo Chinês (que deve estar mesmo incomodando os Estados Unidos com o crescimento da economia frente a paralisia yankee) mas quando perguntado sobre seu apoio ao Egito, Arábia Saudita e Paquistão ele disse que esses países sendo aliados fazem esforço para a abertura democrática e que Estados Unidos seguirão pedindo esse esforço. "América pode manter a amizade com um país e seguir pedindo ao mesmo tempo que se democratize", nas palavras do próprio presidente. Pros amigos a gente pede, os inimigos a gente invade. E a definição de amigo e inimigo quem dá sou eu conforme interesses excusos. Adoro esse presidente.
Vou terminar com uma declaração que de verdade me fez cair em lágrimas:
"Más valioso que las armas es la libertad como expresión universal, garantía de los derechos humanos".
De fato, as nossas ditaduras patrocinadas que o digam, os Cubanos embargados que o digam, os presos de Guantanamo que o digam, os Iraquianos y Afegãos (que super resultado democrático o dessa guerra) que o digam. E que os Estados Unidos algum dia aprendam a lição que aprendi com a mamãe quando era bem pequenininha: a liberdade de um termina onde começa a do outro.
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Tati Bertolucci
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