13 dezembro 2007
11 dezembro 2007
do fim do medo
eu sempre tive, ou pelo menos há seis anos tinha, um enorme medo. de fato, se alguém me perguntasse meu maior medo, eu responderia um: medo da morte do pai. e por fim, no último mês esse medo tão temível tomou data, forma, cor, tamanho, rosto, evento. o medo tão temível teve fim, porque virou verdade. ao contrario porém do que se possa pensar, o fim do medo não traz alívio. o que sobra no fim do medo? um vazio enorme que rapidamente o seu ser se ocupa em ocupar. ocupar com outro medo, que esse espaço estava destinado a isso mesmo e não se pode, na biologia concreta das células do ser, mudar o seu fim. um medo maior que resulta do crescimento de um medo já existente e eu acredito que seja comum a todo ser humano: o temível fracasso (o medo do fracasso, na minha opinião só acaba quando se morre, porque mesmo fracassados podemos fracassar mais). e o temível medo do fracasso cresce com a verdade do fim do outro medo. não há mais resgate, conselho, socorro, não há porto seguro, meu pai não pode ser meu salva vidas do lado da morte. a única esparança a agarrar-me é que sua vida, já vivida, seja capaz de salvar-me.
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13 novembro 2007
"Si no puedes tener la razón y la fuerza, escoge siempre la razón y deja que el enemigo tenga la fuerza. En muchos combates puede la fuerza obtener la victoria, pero en la lucha toda sólo la razón vence. El poderoso nunca podrá sacar razón de su fuerza, pero nosotros siempre podremos obtener fuerza de la razón."
Viejo Antonio a Subcomandante Marcos en las selvas del Suroeste Mexicano. EZLN.
En el capítulo "7 piezas del rompecabezas mundial" del libro Mundo global ¿Guerra Global?.
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Nenhum sistema é a prova de seres humanos
Quanto mais leio e re-leio sobre a glolbalização, o desenvolvimento, os novos (?) socialismos, a esquerda (?) do século 21, os movimentos sociais, o terceiro setor, as elites e as classes operárias, os movimentos étnicos, enfim, quanto mais leio, mais chego a conclusão de que nenhum sistema é a prova de seres humanos e que toda boa iniciativa será corrompida. Frente a isso penso que o problema do mundo é um problema simples de valores e que só será resolvido quando provemos que o ser humano é capaz de mudar. E essa é a parte difícil, por um motivo simples, não me lembro de época no mundo em que a ganancia e o ter poder (que já foi ter terra, ter meios de produção e agora é ter dinheiro aplicado em capital financeiro) não justificassem qualquer tipo de ação. Por certo a idéia de progresso linear acompanhado do passar do tempo veio abaixo, ou vai dizer que o ser humano evoluiu desde a idade média. Não estou falando de tecnologia ou ciência, estou falando do ser humano. Nunca houve tanta pobreza, tanta concentração de riqueza, tantos mortos de fome e tantas guerras (escondidas baixo nomes mais bonitos ou não). O subcomandante Marcos (por favor, Zapata vive) chama o neoliberalismo de IV Guerra Mundial (a Fria foi a terceira) e deve ter razão, porque a nova ordem mundial traz velhos resultados, resumidamente, mortos e semi mortos.
Frente a toda essa crise de crença na humanidade (digamos em um ambito macro) e uma crise existencial profunda (quem não a teria frente a quadro tão catastrófico) resolvi provar para mim mesma que SIM o ser humano pode mudar e que a consciencia não é a sua condenação à infelicidade se não que a maior arma para transformação (salve Paulo Freire). Por isso me propuz pequenos e simples atos de mudança (começados pelo grande ato de abandono de uma vida rs) e se consigo me manter firme neles acreditarei que o ser humano consciente pode mudar, por isso, deixo aqui uma lista importante:
1) Consciente da minha probabilidade genética à diabete e fazendo um grande esforço já que não exista nada no mundo como um chocolate, prometo a mim mesma comer doces apenas de fim de semana (era uma prática diária) e em quantidades aceitaveis (o que significa não comer toda a lata de leite condensado transformada em brigadeiro entre o sábado e o domingo).
2) Contra o capitalismo neoliberal transnacional, a celulite e a gordura localizada (e em épocas de globalização, porque não falar também da gordura globalizada) parei de tomar refrigerantes e especialmente COCA COLA. Também pararei de comer no Mc Donalds e
no Burger King (mas o hamburguer seguirá sendo parte da exceção da minha dieta).
3) Consciente de que a linguística também é forma de dominação e colonialização do pensamento utilizarei cada vez menos palavras em inglês no meu vocabulário. O primeiro passo, deixei de ser mercadóloga (já ía escrever marketeira).
4) Não pararei de roer unha! Se você não acha que isso é um ato de resistencia entenda que as unhas compridas são um símbolo da sexualidade feminina, ou seja, uma questão de genero e machismo, pelo qual eu resistirei, sem perder a minha identidade glocal, fragmentada e pós moderna.
5) Porque alguma resposta estará no sagrado, meditarei pelo menos 3 vezes por semana.
6) Aguardo sugestões ainda que não existam leitores (porque ter esperança também é resistir).
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07 novembro 2007
La soledad era esto
Devorei o livro ao lado. Talvez por algum efeito louco de identificação. Creio que tenho a mania de buscar me identificar com tudo o que vejo. Um ensimesmismo egoísta talvez, ou a busca de algum sentido.Creio que sou um pouco Elena Rincón, aos 44 anos olhando a sua realidade com olhos frios e abandonando-a em busca de algo que não sabe bem quem é. Vivo uma realidade estranha, que venho percebendo mais nestes últimos meses. Percebi que em anos de enclausuramento em volta de um mesmo tema, com tanto tempo dedicado fui desconhecendo-me. Fui despossuindo-me, despossuindo meu corpo, meus gestos, minhas palavras, meus gostos... Sei, por exemplo, que amo música, mas há anos não conhecia outra música que a que sempre escutei. Sei que gosto de gente, mas há anos vinha tendo alguma preguiça de essa categoria. Desaprendi o que fazer com o tempo e ainda hoje me sinto perdida ao deparar-me com uma tarde livre... Um afastamento estranho de uma realidade que deveria viver se produziu, creio que especialmente nos 5 ou 6 últimos anos. Não digo que não vivi esse tempo-espaço, só digo que isso me foi tirando-me de mim mesma, de minha vida, uma vida... uma vida que não tento recuperar agora, mas tento reduzir essa distancia com as coisas quentes do mundo. Tento possuir-me outra vez, a reversão de um processo de metamorfose kafkiano, como Elena Rincón.
La soledad era esto escrito por Juan José Millás, provavelmente não traduzido ao português.
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22 outubro 2007
Jorge Drexler - Todo se transforma
Post abaixo!!!
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Todo se transforma
O silêncio não é mais proposital, confesso. E dou como desculpa a correria falsa do dia a dia para a verdadeira falta de vontade de sentar pra escrever. Que não se tome por falta de assuntos ou sentimentos, que sentimentos tenho todos, vazando pelos poros... talvez seja algum tipo de cansaço mental estagnador por alguns segundos. Mas para não dizer que não falei de flores, deixo uma música que tem sido tema dos meus dias... Entre outros e principalmente por sua leveza.
Todo se transforma - Jorge Drexler
Tu beso se hizo calor,
luego el calor, movimiento,
luego gota de sudor
que se hizo vapor, luego viento
que en un rincón de La Rioja
movió el aspa de un molino
mientras se pisaba el vino
que bebió tu boca roja.
Tu boca roja en la mía,
la copa que gira en mi mano,
y mientras el vino caía
supe que de algún lejano
rincón de otra galaxia,
el amor que me darías,
transformado, volvería
un día a darte las gracias.
Cada uno da lo que recibe
y luego recibe lo que da,
nada es más simple,
no hay otra norma:
nada se pierde,
todo se transforma.
El vino que pagué yo,
con aquel euro italiano
que había estado en un vagón
antes de estar en mi mano,
y antes de eso en Torino,
y antes de Torino, en Prato,
donde hicieron mi zapato
sobre el que caería el vino.
Zapato que en unas horas
buscaré bajo tu cama
con las luces de la aurora,
junto a tus sandalias planas
que compraste aquella vez
en Salvador de Bahía,
donde a otro diste el amor
que hoy yo te devolvería......
Cada uno da lo que recibe
y luego recibe lo que da,
nada es más simple,
no hay otra norma:
nada se pierde,
todo se transforma.
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Tati Bertolucci
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